
A promotora de justiça Selma Regina Souza Martins, que coordena o Centro de Apoio em Defesa da Mulher, criticou a violência de gênero nas músicas brasileiras. A declaração ocorreu na segunda-feira (31), durante uma roda de conversa sobre “Violência de gênero nas músicas”.
O Ministério Público do Maranhão organizou o evento através da Coordenadoria de Gestão de Pessoas e da 3ª Promotoria de Justiça Especializada em Defesa da Mulher. O encontro, que faz parte do Grupo Reflexivo para Mulheres da Procuradoria-Geral de Justiça, reuniu servidoras da instituição para refletir sobre letras de canções que reforçam estereótipos negativos contra as mulheres ou que retratam relacionamentos abusivos.
Dra. Selma Martins conduziu a discussão, apresentando diversas músicas e analisando suas letras sob a perspectiva da violência de gênero. Um dos exemplos citados foi a canção “Se te agarro com outro te mato”, de Sidney Magal, lançada em 1977. Na ocasião, ela citou a ‘naturalização da violência extrema contra a mulher’, classificando-a como um ‘exemplo de feminicídio na cultura musical’.
Outra música analisada foi “Vidinha de balada”, interpretada pela dupla Henrique e Juliano. Em um de seus versos, a canção afirma: “Eu vim acabar com essa sua vidinha de balada, e dar outro gosto pra essa sua boca de ressaca”. Para a promotora de justiça, a canção descreve um relacionamento onde o eu lírico sugere que a mulher deve abandonar sua vida de festas e liberdade para estar ao seu lado. “O tom pode ser interpretado como romântico à primeira vista, mas também levanta questionamentos sobre a ideia de posse e controle sobre as escolhas da mulher”, analisou.
A música “Se eu largar o freio”, de Péricles, lançada em 2013, também foi debatida. O trecho “a casa tá desarrumada, nenhuma vassoura tu passa no chão” foi apontado como um exemplo de responsabilização feminina pelas tarefas domésticas, refletindo discursos que, mesmo sem incitar diretamente a violência, podem reforçar padrões culturais que sustentam relações desiguais e, em alguns casos, abusivas.
O encontro buscou estimular uma análise crítica sobre o papel da música na perpetuação de estereótipos e violências de gênero, promovendo a conscientização sobre a necessidade de mudanças na forma como as relações entre homens e mulheres são retratadas na cultura popular.
Além da roda de conversa, também houve uma feirinha organizada por mulheres empreendedoras, que expuseram e venderam diversos produtos, como bijuterias, itens de papelaria, vestuário, entre outros.
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