Prefeito de Igarapé Grande vai a júri por homicídio de PM

O prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), réu pelo assassinato policial militar Geidson Thiago da Silva Santos, de 39 anos, será levado a júri popular. A decisão de pronúncia foi proferida pelo juiz Luiz Emílio Braúna Bittencourt Júnior, titular da 2ª Vara da Comarca de Pedreiras (MA). O mandatário municipal é sobrinho do ex-prefeito Erlanio Xavier (PDT), candidato a deputado federal nas eleições de 2026.

Ao decidir pela pronúncia, o magistrado considerou haver provas da materialidade e indícios de autoria para o caso ser analisado pelo Conselho de Sentença. O juiz manteve as qualificadoras de motivo fútil e também as cautelares impostas ao denunciado, nos exatos termos fixados pelo Tribunal de Justiça do Maranhão.

Quanto ao porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, a defesa requereu que o delito fosse examinado autonomamente, com análise da possibilidade de sua absorção pelo crime contra a vida. No entanto, o julgador apontou elementos que impedem reconhecer, desde logo, a absorção pretendida.

Segundo o magistrado, o próprio denunciado afirmou, em juízo, que já portava a arma quando da discussão com Geidson Thiago. Além disso, na fase inquisitorial, declarou que havia recebido o artefato cerca de dois anos antes. “Esse conjunto não permite concluir, por ora, que o porte tenha ocorrido exclusivamente como meio necessário à prática do homicídio”, destacou a sentença publicada na quinta-feira, dia 3, e que foi obtida hoje pelo blog do Isaias Rocha.

Relembre o caso

O crime aconteceu na noite do dia 6 de julho de 2025, durante uma vaquejada em Trizidela do Vale (MA), quando João Vitor Xavier e o policial militar Geidson Thiago se desentenderam pelo fato de o PM ter pedido para João reduzir a luz dos faróis do carro porque estaria incomodando as pessoas no local.

Um dos vídeos obtidos pela polícia mostra um homem, que seria o prefeito, indo até um carro preto, onde parece pegar um objeto. Em seguida, ele anda em direção a um grupo de pessoas, onde há uma aglomeração e, por fim, corre de volta ao veículo e vai embora.

De acordo com o delegado de Pedreiras, Diego Maciel, as imagens são do local da vaquejada onde estavam o PM e o prefeito. As imagens não mostram o momento exato, mas a suspeita é de que o prefeito efetuou os disparos quando o policial virava as costas e depois fugiu. Segundo a polícia, as imagens ainda passarão por perícia.

Relatos de testemunhas também apontam que houve uma confusão no evento e o prefeito João Vitor Xavier teria sacado uma arma e efetuado disparos contra o policial, que era conhecido como “Dos Santos” e estava de folga.

O PM ainda chegou a ser socorrido e levado a um hospital em Pedreiras, mas devido à gravidade dos ferimentos, foi transferido para uma unidade com mais estrutura. No entanto, ele não resistiu e morreu durante o atendimento. O policial era lotado no 19º Batalhão de Polícia Militar.

Prefeito alega legítima defesa

O prefeito se apresentou à polícia na tarde do dia seguinte ao crime, em Presidente Dutra, cidade a 347 km de São Luís. Ele chegou à Delegacia Regional acompanhado de advogados de defesa e, de acordo com a polícia, em depoimento, o prefeito alegou que atirou no PM em legítima defesa. Após prestar depoimento, ele foi liberado.

Segundo o delegado Ricardo Aragão, superintendente de Polícia Civil do Interior, como João Vitor se apresentou espontaneamente, ele não foi preso em flagrante.

Clique aqui para ler a sentença

Juri 0803766-45.2025.8.10.0051

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