A disputa de 2026 já tem um campo de batalha praticamente definido: a guerra de versões sobre traição política. Não à toa, o governador Carlos Brandão (MDB) usou como fio condutor do discurso de um ato político em Peritoró três expressões: leal, parceiro e amigo.
Naturalmente, esta não é uma provocação filosófica, mas a inclusão de uma abordagem moral no campo das narrativas eleitorais. Nas entrelinhas, Brandão quer convocar os eleitores a refletir sobre o caráter do ex-aliado André Fufuca (PP), deputado federal e ex-ministro do Esporte.
Desconfiança já era evidente
Fufuquinha já era considerado pouco confiável pela base governista desde as eleições para a Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Maranhão no biênio 2025-2026, com empate duplo de 21 a 21 votos resultando na definição da eleição para a presidência da Casa pela idade.
Essa ‘desconfiança’ se deve ao envolvimento de Diego Galdino, ex-número 2 do Ministério do Esporte, que atuou nos bastidores do pleito legislativo. Desde então, há uma guerra de narrativas sobre quem traiu e quem foi traído. Ao que parece, o tema será testado no debate público deste ano. E cada um, querendo ou não, terá que tentar convencer o eleitor.
Lealdade como pauta eleitoral
Ao proferir a palavra ‘leal’ no recente ato do MDB em Peritoró, Brandão não estava apenas desabafando, mas tentando fazer com que o tema seja pauta da campanha. A pergunta inicial que ele quer que o eleitor faça, nas entrelinhas, não é “quem governou melhor”, mas “quem foi leal e quem traiu”. Por esse motivo, ele sempre costuma comparar a postura do seu vice com a dele quando esteve no mesmo posto quando o Maranhão era governador por Flavio Dino.
‘Traição’ vira narrativa de 2026
Ainda não é possível avaliar o peso da mudança abrupta após o ex-ministro do Esporte romper com a cúpula do Palácio dos Leões. Contudo, seus adversários na corrida pelo Senado podem explorar essa questão como um argumento moral, deixando que os eleitores assumam o papel de árbitro. No embate de 2026, as versões vão coexistir, se confrontar e disputar credibilidade.
Ao frisar para a importância de um senador que seja leal ao projeto, um senador que seja parceiro e amigo, aliado do grupo, o governador quer que o árbitro seja a população:
“Precisamos de um senador que seja leal, um senador que seja parceiro e amigo, aliado do grupo”, frisou.
Trocando o interior pela capital
Não sabemos ao certo se Fufuquinha caiu nas promessas dos ‘vendedores de sonhos’, mas parece que ele está focado em uma aliança com Braide, buscando os votos da capital. Contudo, o problema é que ele pode acabar perdendo o que levou anos para conquistar no interior.
Eleitor no meio do fogo cruzado
Nas eleições deste ano, o eleitor será chamado a navegar entre versões pessoais de lealdade e ingratidão. Como ele vai processar esse conflito é uma das incógnitas da eleição.
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