Quase sete em cada dez brasileiros, o que representa 67% do eleitorado, afirmam que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) deflagrada por novas revelações do escândalo do banco Master não afeta o voto na eleição presidencial, conforme levantamento encomendado pelo jornal O Globo e pela Globo e divulgado na última segunda-feira (14).
Se não afeta o voto, a situação começa a impactar a saúde mental. Por trás do debate, existem muitas camadas: desânimo, descrença nas instituições, intolerância aos erros, dentre outros. Nas redes sociais, a cobrança pública e institucional por investigações e eventuais punições escalou significativamente com o avanço do escândalo envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A crise provocou uma divisão sem precedentes na Corte (uma verdadeira “guerra de ofícios”), após o celular de Vorcaro revelar supostas mensagens trocadas com o ministro Alexandre de Moraes e menções a outros magistrados e autoridades.
O problema, contudo, é que o caso expos uma espécie de discurso esquizofrênico: aqueles que exigem punições aos envolvidos com o Master no STF são justamente os mesmos que não escondem seu apoio a Flávio Bolsonaro, flagrado solicitando US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época) ao ex-banqueiro para financiar o filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outro aspecto do ‘crítico esquizofrênico’ é a tentativa de aparentar uma espécie de ‘demência’ ao desconsiderar outro fato do escândalo: em 2022, a campanha do pai de Flávio Bolsonaro recebeu uma doação de R$ 3 milhões ligada a pessoas investigadas no esquema.
A contradição no debate evidencia que não será elegendo alguém diretamente envolvido no escândalo, que o Brasil vai superar essa crise. Por uma razão óbvia: não se pode apoiar aquilo que se critica. Discurso que se baseia apenas em viés político ou ideológico não possui a capacidade necessária para resolver o problema.
A estabilidade democrática e a restauração da harmonia entre as instituições exigem soluções baseadas na técnica jurídica, na observância da Constituição e no diálogo entre as entidades envolvidas. Além disso, também é crucial superar a polarização partidária, que só contribui para embrutecer e adoecer seus adeptos. A maior evidência disso é o discurso esquizofrênico, que afeta um dos lados que polarizam a disputa eleitoral.
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