Médico e quatro vezes prefeito de Santa Rita, Dr. Hilton Gonçalo tem em seu legado administrativo todas as ferramentas explica por que decidiu disputar o Senado e detalha suas propostas para saúde, educação, habitação, emprego e infraestrutura no Maranhão. Natural de Pastos Bons, formado em Medicina pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e com atuação em diversos hospitais de São Luís, Hilton Gonçalo construiu sua trajetória pública a partir da experiência como médico e gestor municipal. Eleito prefeito, transformou Santa Rita,  comandando a cidade quatro mandatos, entre 2005 e 2012 e, posteriormente, entre 2017 e 2024.

Durante suas gestões, implantou programas nas áreas de habitação, abastecimento de água, saúde, educação, infraestrutura e geração de renda. Entre as ações destacadas estão a construção de aproximadamente três mil moradias, a perfuração de cerca de 600 poços, a construção de 11 creches, a implantação de bases do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a entrega de 1.400 tablets e bicicletas para estudantes, programa que ganhou visibilidade junto ao FNDE, e a criação do Banco do Povo.

Agora, candidato ao Senado pelo Mobiliza, com o número 333, Dr. Hilton afirma que pretende transformar a experiência municipal em uma agenda para todo o Maranhão. Em entrevista a O Imparcial, ele fala sobre sua história, reconhece os limites enfrentados como prefeito e apresenta as prioridades que pretende defender caso seja eleito senador para representar o estado.

Quem é o Dr. Hilton para o maranhense que ainda está conhecendo sua trajetória?

Sou médico, pai de família, gestor público e alguém que acredita que a política deve melhorar de verdade a vida das pessoas. Nasci em Pastos Bons, me formei em Medicina pela UFMA e trabalhei em hospitais de urgência e emergência de São Luís. Depois, tive a oportunidade de administrar Santa Rita por quatro mandatos; antes, lá, abri minha primeira clínica popular e dormi várias noites no local para conseguir atender a todos que iam em busca de consulta. Essa caminhada me permitiu conhecer dois lados muito importantes da vida pública: o sofrimento de quem precisa de atendimento e a responsabilidade de quem precisa encontrar uma solução. Conheço a realidade dos municípios, as limitações das prefeituras e, principalmente, as necessidades das famílias.

A Medicina influenciou sua maneira de administrar?

Sem dúvida. A Medicina ensina a ouvir, observar, identificar a causa do problema e agir com responsabilidade. Também ensina que cada minuto pode fazer diferença na vida de uma pessoa. Levei esse aprendizado para a Prefeitura. Na gestão pública, não basta constatar que existe um problema; é preciso estabelecer prioridades, formar uma boa equipe, buscar recursos e acompanhar os resultados. Sempre procurei administrar com essa visão: cuidar das pessoas e agir com senso de urgência.

O senhor foi prefeito de Santa Rita por quatro mandatos. Qual considera o principal legado de suas administrações?

Nosso maior legado foi mostrar que um município pode avançar quando existe planejamento, continuidade e coragem para enfrentar problemas históricos e que afetam as pessoas. Trabalhamos em várias frentes porque as necessidades das famílias também estão interligadas. Construímos aproximadamente três mil moradias, substituindo muitas casas de taipa por residências mais dignas. Perfuramos cerca de 600 poços, levamos água às comunidades, construímos creches, investimos em saúde, educação, estradas, pontes e geração de renda. Não existe um povoado sem ter recebido asfalto. Mais do que uma obra isolada, deixamos uma forma de governar junto à população.

O programa habitacional tornou-se uma das marcas de sua gestão. O que essa experiência representa?

Quando uma família deixa uma casa de taipa e passa a morar em uma residência adequada, muda também seus sonhos para o futuro. A criança passa a ter um lugar mais seguro para estudar, a família fica menos exposta a doenças e todos conquistam mais tranquilidade. Em Santa Rita, conseguimos construir aproximadamente três mil moradias.

“Quero levar experiência de quem conhece problemas”

Caso seja eleito, o senhor pretende reproduzir esse modelo em todo o Maranhão?

O senador não constrói casas diretamente e é importante deixar isso muito claro. Mas pode aprovar leis, votar o orçamento, destinar recursos, fiscalizar programas e articular parcerias. Quero trabalhar para que o Maranhão tenha uma política habitacional permanente, com metas e atenção especial às famílias que ainda vivem em casas de taipa ou em condições precárias. Pretendo atuar em parceria com o Governo do Estado, os municípios e o Governo Federal para ampliar os programas habitacionais e de saneamento. Minha experiência como prefeito será importante para ajudar a fazer o recurso chegar à ponta.

Na área da saúde, quais foram os principais avanços alcançados em Santa Rita?

Fortalecemos a atenção básica, ampliamos o suporte às comunidades, investimos em ambulâncias, unidades de saúde e implantamos bases do SAMU com atendimento básico e avançado. Como médico, sempre tive uma atenção especial por essa área. Sei o que significa uma família esperar por socorro ou precisar viajar por horas em busca de atendimento. A saúde precisa estar organizada desde a prevenção até a urgência e a alta complexidade. Quando a atenção básica funciona, ela evita o agravamento de muitas doenças e reduz a pressão sobre os grandes hospitais.

Qual será sua principal proposta para a saúde do Maranhão?

Quero defender a regionalização do atendimento, especialmente da urgência e emergência. O Maranhão é extenso e muitas pessoas ainda precisam percorrer grandes distâncias para conseguir atendimento. Vamos trabalhar por mais recursos para hospitais regionais, unidades de urgência, ambulâncias, SAMU, telemedicina e formação de profissionais para o interior. Também defendemos a implantação de uma grande unidade de urgência e emergência em São Luís, integrada a uma rede regional capaz de resolver os casos mais perto da residência do paciente. Na saúde, cada quilômetro a menos e cada minuto economizado podem representar uma vida salva.

A educação também aparece entre as prioridades de sua campanha. O que foi realizado durante suas gestões?

Construímos 11 creches, ampliando o atendimento à primeira infância, implantamos laboratórios e investimos na estrutura da rede municipal. Também entregamos tablets aos estudantes e desenvolvemos um programa de bicicletas escolares que chamou a atenção do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Além disso, garantimos transporte para universitários que precisavam estudar fora do município. Procuramos compreender a educação de forma ampla: da creche ao ensino superior, passando pelo acesso à tecnologia, pelo transporte e pela preparação profissional.

O que pretende defender no Senado para os estudantes maranhenses?

Quero ampliar o apoio ao transporte universitário intermunicipal, porque muitos jovens do interior abandonam os estudos por não terem condições de se deslocar diariamente. Hoje, o benefício atende não só Santa Rita, como também Rosário, Bacabeira, Axixá e região. Também vamos defender mais investimentos na primeira infância, escolas em tempo integral, conectividade, uso da Inteligência Artificial como ferramentas para o ensino técnico e qualificação profissional. A educação precisa conversar com as vocações econômicas de cada região. O jovem precisa estudar, mas também precisa enxergar uma oportunidade de trabalho e de renda perto de onde vive.

Emprego e renda são hoje algumas das maiores preocupações da população. Qual é sua proposta para essa área?

O poder público não cria sozinho todos os empregos, mas pode abrir caminhos para quem quer trabalhar e produzir. Em Santa Rita, criamos o Banco do Povo com até R$ 2 mil de incentivo para terem o próprio negócio e realizamos feiras voltadas aos pequenos empreendedores. Ajudamos pessoas que tinham conhecimento e disposição, mas não conseguiam acesso a crédito ou mercado. Quero defender a ampliação do microcrédito orientado, da qualificação profissional e do apoio aos pequenos negócios. Também proponho levar para outras regiões experiências como o Habilitação na Mão, voltado às pessoas que perdem oportunidades de emprego porque não conseguem pagar pela carteira de motorista.

Por que a habilitação deve ser tratada como uma política de geração de renda?

Porque, para muitas pessoas, a carteira de motorista é uma ferramenta de trabalho. Ela abre oportunidades no transporte, no comércio e nos serviços. Não se trata simplesmente de entregar um documento. A proposta deve ter critérios sociais, formação adequada e ligação com oportunidades reais. É uma política para dar autonomia, especialmente aos jovens e trabalhadores de baixa renda.

Qual será sua relação com o Governo Federal caso seja eleito?

Vou apoiar tudo o que beneficiar o Maranhão e me posicionar contra aquilo que prejudicar nosso estado ou o país. Recurso federal não é favor político; pertence à população. O senador deve dialogar, construir maiorias, fiscalizar e cobrar resultados, mantendo sempre sua independência.

Gás natural, infraestrutura e pauta municipalista

O Maranhão possui grande potencial para a produção de gás natural, especialmente em cidades como Santo Antônio dos Lopes. Como transformar essa riqueza em desenvolvimento para todo o estado?

Municípios como Santo Antônio dos Lopes demonstram que o Maranhão possui capacidade para ocupar uma posição estratégica na produção de gás natural. Esse potencial pode atrair indústrias, ampliar a geração de energia, estimular a produção de fertilizantes e criar empregos qualificados. Mas essa riqueza precisa permanecer no Maranhão e melhorar a vida da população, principalmente nos municípios produtores e nas regiões próximas. No Senado, vou trabalhar por segurança jurídica, infraestrutura e investimentos que permitam ao estado participar de toda a cadeia produtiva, e não apenas fornecer a matéria-prima. Também defenderei qualificação profissional para que as vagas sejam ocupadas pelos maranhenses, além de uma distribuição justa das receitas entre o estado e os municípios. Com responsabilidade ambiental, fiscalização e planejamento, o gás natural pode se transformar em desenvolvimento, arrecadação e novas oportunidades para todo o Maranhão.

O senhor também destaca obras de abastecimento e infraestrutura. Como essa experiência pode ser levada para o Senado?

Em Santa Rita, perfuramos cerca de 600 poços, melhoramos estradas, construímos pontes, sem deixar nenhuma de madeira, e ampliamos acessos às comunidades. Quem vive no interior sabe que estrada, água, energia e conectividade não são luxos. São condições básicas para estudar, produzir, receber atendimento e escoar a produção. No Senado, quero defender recursos para saneamento, abastecimento, recuperação da malha rodoviária, ferrovias, hidrovias e novos modais de transporte. O Maranhão precisa aproveitar melhor sua localização e seu potencial produtivo.

O Maranhão possui apenas uma entrada terrestre para a capital. Essa questão estará entre suas prioridades?

Sim. A BR-135 é essencial para a mobilidade das pessoas e para o escoamento da produção, mas o estado não pode depender exclusivamente de uma única ligação terrestre com São Luís. A capital também precisa avançar. Ela é nossa porta de entrada para o turismo, os negócios, o desenvolvimento.

Precisamos concluir e ampliar as intervenções necessárias na rodovia, garantir segurança na região do Estreito dos Mosquitos e discutir alternativas de transporte. Isso inclui ferrovias com possibilidade de transporte de passageiros, melhor aproveitamento das hidrovias e integração entre diferentes modais. Planejar o futuro do Maranhão exige pensar além da próxima obra.

Quais são suas propostas para a agricultura familiar e a pesca?

O pequeno produtor e o pescador artesanal precisam de mais do que crédito. Precisam de água, estrada, assistência técnica, documentação, armazenamento, beneficiamento, cadeia de frio e acesso ao mercado. Defendo crédito orientado, seguro, cooperativismo e fortalecimento dos programas de compras públicas. Na pesca, precisamos investir em entrepostos, produção de gelo, conservação, pesquisa e proteção dos períodos reprodutivos. Preservar os recursos naturais e garantir renda às comunidades devem fazer parte da mesma política.

Depois de quatro mandatos, por que alguns problemas ainda permaneceram em Santa Rita?

Nenhum gestor sério pode dizer que resolveu todos os problemas. Administrar é trabalhar com prioridades, recursos limitados e demandas que se renovam. Tenho orgulho do que realizamos, mas também reconheço o que ainda precisa avançar. Foi uma transformação em Santa Rita. O que ficou por fazer aumenta minha responsabilidade; o que conseguimos entregar demonstra nossa capacidade. Quero levar ao Senado uma experiência real, que inclui resultados, dificuldades e aprendizados. A população não precisa de alguém que prometa perfeição, mas de alguém que conheça os problemas e saiba construir soluções.

O que significa, na prática, ser um senador municipalista?

Significa votar pensando na realidade das cidades. Significa ouvir prefeitos e vereadores, mas, principalmente, compreender que por trás de cada demanda municipal existe uma necessidade da população. O senador municipalista trabalha caminhando pelo Maranhão para aproximar Brasília da vida das pessoas. Quero ajudar os municípios a acessarem recursos, elaborar bons projetos e executar políticas públicas com transparência, metas e fiscalização. Mais autonomia precisa vir acompanhada de mais responsabilidade.

Qual mensagem o senhor deixa para o eleitor maranhense?

Sou médico, fui prefeito quatro vezes e conheço de perto as dificuldades enfrentadas pelas famílias e pelos gestores municipais. Quero colocar essa experiência a serviço de todo o estado. No Senado, pretendo defender saúde regionalizada, moradia digna, água, saneamento, educação, infraestrutura, emprego e oportunidades. Minha candidatura representa a experiência de quem já realizou e a disposição de quem ainda tem muito a fazer. Quero ser uma voz firme dos municípios e ajudar a construir um Maranhão mais forte.

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