A polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ultrapassou a disputa pela Presidência, influenciando também as eleições para governador e para o Senado. Assuntos como a soberania nacional, a democracia, a anistia, a atuação do TSE e do STF marcam os discursos dos candidatos a governador e a senador, assim como uma agenda anticorrupção e debate sobre as políticas públicas do governo federal.

Pesquisadores do Instituto Democracia em Xeque, que elaborou um estudo sobre as candidaturas para os governos estaduais e para o Senado no início da disputa eleitoral deste ano, registram que o “alinhamento ideológico e nacionalização” estão pautando as campanhas regionais. Eis a íntegra do levantamento obtido pelo blog do Isaías Rocha (PDF – 7 MB)

Realizado em conjunto com a PUC-Rio, o estudo teve a parceria da UFBA, UFABC, UFMT e UFRGS. Para avaliar as disputas pelo governo estadual e pelo Senado no Distrito Federal e em nove Estados, os pesquisadores realizaram um mapeamento e análise das redes sociais em várias regiões: Pará, Ceará, Pernambuco, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

“Em praticamente todos os hubs [centros pesquisados], a nacionalização foi eixo central nas disputas, com candidatos locais incorporando temas e lideranças do cenário político nacional às suas campanhas”, diz trecho da pesquisa.

Embora o Maranhão não tenha sido incluído na avaliação, a análise verificou-se que todos os nomes avaliados relacionam suas propostas a Lula ou Bolsonaro, e, por essa razão, a polarização nacional pode prejudicar de forma geral os candidatos neutros ou de “terceira via” tanto em território maranhense quanto nas demais unidades da federação.

Por que prejudica?

Voto útil precoce: No clima de polarização, muitos eleitores decidem o voto motivados pela rejeição ao lado oposto, fazendo com que candidaturas alternativas “derretam” na reta final.

Falta de palanque: Candidatos neutros encontram dificuldades para conseguir apoios robustos, tempo de TV e recursos, já que os grandes partidos frequentemente se dividem ou evitam alianças definitivas para negociar cargos depois.

Debate nacionalizado: As discussões locais acabam sequestradas por pautas ideológicas federais, reduzindo o espaço para propostas focadas estritamente nos problemas do estado.

Existe algum lado positivo?

Cansaço do eleitor: Pesquisas mostram que uma parcela expressiva da população demonstra fadiga com o embate extremado.

Estratégia de neutralidade: Partidos do centro têm tentado usar a neutralidade estadual como tática para atrair eleitores moderados e negociar com qualquer vencedor no futuro, embora isso raramente se reverta em vitórias expressivas para o Executivo local.

Clique aqui para ler o estudo.

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