O ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), acabou assumindo que “família miliciana” se refere a Flávio Bolsonaro (PL) ao mandar retirar uma postagem do ator e humorista Antônio Tabet. A avaliação é do colunista Leonardo Sakamoto durante o UOL News – 2ª edição, do Canal UOL.
A ordem atendeu a um pedido da campanha de Flávio. Na decisão, Mendonça disse que a publicação, que acusava a família Bolsonaro de atacar Nossa Senhora Aparecida, tinha “elevada carga crítica e depreciativa”, ultrapassava opinião e veiculava “fato objetivamente falso”, e fixou multa de R$ 30 mil em caso de descumprimento.
“O mais doido nessa história é que o ministro André Mendonça assume que ‘família miliciana’ é a do Flávio Bolsonaro. Eu estava lendo aqui a decisão. No item 18 do texto, ao afirmar que a família do representante resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida, o ministro assume que a tal família é a do seu aliado político”, declarou o jornalista.
Na avaliação de Sakamoto, Tabet não menciona o nome da ‘família miliciana’. De acordo com o analista, ele poderia, em tese, estar falando de uma forma ampla. “Mas o André Mendonça decide que ‘família miliciana’ é a de Flávio Bolsonaro”, completou.
O colunista do UOL disse que, além do debate sobre remoção de conteúdo e censura, o ponto que o intrigou foi a forma como a decisão associa a expressão a Flávio, apesar de a postagem não citar o nome do candidato. “É sempre ruim uma notícia de censura de conteúdo. Apesar de não estar tendo uma citação direta ao Flávio Bolsonaro, ele consegue censurar Tabet”, disse.
A jornalista Thaís Bilenky também concordou com a tese e avaliou que, se houvesse informação equivocada, o caminho deveria ser a correção, não a retirada do conteúdo. Para ela, veículos jornalísticos têm compromisso com a verdade e há formas democráticas de contestar e pedir retificação.
“Se há alguma informação equivocada em um conteúdo publicado por um veículo jornalístico, a informação tem que ser corrigida. Se ele considerou que havia informação equivocada, a resposta não é simplesmente mandar tirar do ar, mas corrigir a informação e permanecer o veículo com a sua liberdade de veicular informação, opinião, expressão do jogo”, explicou.
No estúdio, o comentário também foi que a decisão pode acabar tendo efeito contrário para o senador. Bilenky disse que a reação “veste a carapuça” e pode piorar a situação para Flávio e para o próprio ministro.
“O Flávio não teria coragem de rebaixar Nossa Senhora Aparecida. A questão pior é outra: não tenho dúvida de que ele vai ocupar o STF com um monte de ‘terrivelmente evangélicos’, pessoas à imagem e semelhança de André Mendonça”, frisou Sakamoto.
“Basicamente é um factoide que foi inventado em poucas horas à noite de quinta-feira para dominar um assunto na sexta-feira. É um típico fenômeno eleitoral de rede social que o bolsonarismo soube aproveitar, mas que de concreto e de real não tem nada”, concluiu Bilenky.
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