“Vivemos um extermínio”, diz Bárbara Soeiro sobre casos de feminicídio em São Luís

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Procuradora da Mulher da Câmara debate ações de combate à violência de gênero na capital maranhense

A Procuradora da Mulher na Câmara Municipal de São Luís, vereadora Bárbara Soeiro (PSC), participou, na manhã desta sexta-feira (07), no auditório da Defensoria Pública do Estado do Maranhão (DPE), de um debate sobre respeito ao gênero feminino e pela vida das mulheres. Na oportunidade, Bárbara Soeiro destacou a importância do evento e defendeu esforço coletivo para que sejam construídas estratégias para o enfrentamento da violência contra a mulher, em busca de alternativas para o combate desse tipo de crime que alcança índices altíssimos na capital maranhense.

“Foi um debate importante que serviu para abordamos sobre questões como enfrentamento à violência, pois estamos vivendo um extermínio de mulheres. Daqui um tempo vai sobrar uma quantia pequena de mulheres, pois estão acabando com elas. Para impedir que isso ocorra, precisamos trazer para o debate toda rede de proteção à mulher para encontramos juntos algumas alternativas para diminuição do feminicídio”, destacou a parlamentar.

Durante a abertura do evento, a diretora da Escola Superior, a defensora pública Cristiane Marques Mendes, ressaltou o compromisso da DPE/MA em suscitar discussões ampliadas quanto ao tema, destacando também a iniciativa da instituição de implementar medidas internas de prevenção e de sensibilização, com o intuito de promover momentos de reflexão compartilhados por defensores, servidores e demais colaboradores.

“É um momento de reflexão e de união para que possamos sensibilizar a sociedade que a mulher tem o direito à vida, a sua sexualidade e à liberdade de expressão”, justificou.

O debate foi conduzido pela defensora pública Lindevania Martins, que iniciou os trabalhos prestando uma homenagem à jovem Bruna Lícia, assassinada, recentemente, por seu ex-companheiro em São Luís. Durante seu discurso, traçou um panorama sobre a violência feminina no país e também um histórico sobre a chamada cultura do patriarcalismo desde os primórdios da sociedade.

“Infelizmente vivemos em uma sociedade marcada pelo machismo, pela chamada cultura patriarcalista, que sustenta uma pretensa superioridade do homem em detrimento da mulher. Neste contexto, no Brasil não é diferente, inclusive é ainda mais exposta e incentivada e é contra isso que lutamos diariamente, visando reduzir tais atos”, explicou Lindevania.

A delegada coordenadora das Delegacias de Atendimento e Enfrentamento à Violência contra a Mulher (Codevim), Kazumi Tanaka, falou um pouco sobre a atuação do órgão na proteção da mulher e também sobre os serviços prestados na Casa da Mulher Brasileira, os quais visam reduzir a revitimização e a “rota de crítica” que é o trajeto que a mulher em vulnerabilidade faz até conseguir ajuda em órgãos de proteção mantidas pelo Estado.

A psicóloga Calíope Almeida falou, dentre outras coisas, sobre moral, sexualidade e a maneira como as regras e costumes foram incutidos na sociedade e estimulados de maneira diferente entre homens e mulheres. Em sua participação, a ouvidora-geral Marcia Maia falou sobre a responsabilidade compartilhada na desconstrução da cultura machista, considerado a participação dos homens de grande importância nesse processo.

Por fim, a assistente social Sílvia Leite observou a importância de levantar a questão da violência contra a mulher sob uma perspectiva racial, enfatizando que são as mulheres negras as maiores vítimas da violência. Todos os assuntos foram amplamente discutidos e com participação ativa da plateia.

Também foram convidados a debater sobre o tema a juíza da 2ª Vara Especial de Combate à Violência em exercício, Maricélia Goncalves; a diretora da Casa da Mulher Brasileira, Susan Lucena; a equipe de trabalho da Casa Abrigo; o psicólogo Raimundo Ferreira, que atua junto ao Grupo Reflexivo de Homens, do Poder Judiciário; representantes da Plan International, além de professores universitários, dentre entre outros.

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